Diferença Esperada na Progênie: o que ela prediz, como ler um valor positivo ou negativo, e o papel da acurácia antes de decidir com qual touro cruzar o rebanho.
A DEP (Diferença Esperada na Progênie) prediz a capacidade de um touro transmitir uma característica aos filhos. Não mede o que o animal pesa ou produz: estima a diferença de desempenho esperada, em média, na progênie desse touro em comparação com a progênie de outros touros avaliados na mesma base de dados.
É a mesma definição usada pelos programas de melhoramento genético que operam no Brasil. A Embrapa descreve a DEP como uma estimativa de valor genético, acompanhada de uma acurácia — a confiabilidade daquele número — e, em muitos sumários, de um percentil, que mostra onde o animal fica dentro da população avaliada.
A pergunta que uma DEP sempre responde é: que diferença genética posso esperar, em média, nos filhos deste touro? Não é uma promessa sobre um bezerro específico, e sim uma média esperada sobre toda a progênie.
Suponha dois touros avaliados no mesmo programa, com estas DEPs de peso à desmama:
| Touro | DEP peso à desmama |
|---|---|
| Touro A | +18 kg |
| Touro B | +6 kg |
A diferença entre os dois é de 12 kg. Usados sobre matrizes comparáveis, espera-se que a progênie do Touro A supere, em média, por cerca de 12 kg à desmama a progênie do Touro B, pela diferença genética estimada entre eles.
Isso não significa que cada bezerro do Touro A vai pesar exatamente 12 kg a mais. A DEP trabalha com médias de progênie, não com o resultado de um animal isolado.
A DEP permite comparar touros de forma mais objetiva do que a olho, e orientar a seleção conforme o objetivo de cada fazenda. Conforme a raça e o programa, costuma haver DEP disponível para peso ao nascer, peso à desmama, peso ao sobreano, ganho pós-desmama, perímetro escrotal, idade ao primeiro parto, habilidade materna e características de carcaça — área de olho de lombo, espessura de gordura subcutânea e marmoreio.
Nem todo programa publica as mesmas características. Vale conferir o que exatamente avalia o programa da raça que você está olhando antes de comparar.
Um touro pode ter ótima conformação e bom acabamento sem que isso garanta uma DEP alta para as características que importam para você. O que se vê — o fenótipo — combina genética com nutrição, manejo, sanidade e idade. A DEP tenta isolar estatisticamente a parte que é genética e, portanto, transmissível.
Dois animais de genealogia parecida podem ter DEPs diferentes quando entram o desempenho próprio, o dos parentes e o da progênie. Por isso vale olhar a DEP, não só a árvore genealógica ou a balança.
Um dos erros mais comuns é achar que DEP positiva é sempre melhor. Não existe essa regra universal.
Para peso à desmama, um valor alto costuma ser buscado quando o objetivo é mais quilo produzido. Para peso ao nascer, ao contrário, um valor muito alto pode não convir se a prioridade é facilidade de parto e menor risco de distocia. O sinal se interpreta conforme a característica e o objetivo do seu rebanho, não isoladamente.
Junto de cada DEP, os programas publicam uma acurácia: uma medida de quanta informação sustenta essa estimativa.
Uma acurácia baixa não significa que a DEP está errada: significa que ainda há pouca informação — poucos filhos avaliados, por exemplo — e que o valor pode mudar mais quando entrarem novos dados. Uma acurácia alta indica o contrário: o valor tem mais histórico atrás dele e costuma ser mais estável.
Comparar dois touros só pelo valor da DEP, sem olhar a acurácia de cada um, é enxergar metade da informação disponível.
A DEP não é calculada pelo produtor nem pela fazenda isoladamente: ela vem de programas de melhoramento genético populacional, mantidos por associações de criadores e centros de pesquisa, sobre bases de dados com milhares de animais aparentados entre si.
No Brasil, os principais programas são o PMGZ, da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); a ANCP (Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores); e o Geneplus, da Embrapa Gado de Corte em parceria com a Geneplus Consultoria Agropecuária.
Para o detalhe completo de quem processa os dados e como se chega do registro de campo à DEP publicada, veja como se calcula a DEP no Brasil.
Como se calcula a DEP no Brasil.
Como ler o sumário de DEP de um touro.
Como comparar a DEP de dois touros para escolher o reprodutor.
Geneplus · Embrapa Gado de Corte — sobre o programa, desde 1996.
ANCP · Avaliação genética — conceitos de DEP e acurácia.
Embrapa · O que significa DEP — pergunta frequente respondida pela Embrapa Gado de Corte.
DEP significa Diferença Esperada na Progênie: uma estimativa de quanto se espera que a progênie de um touro difira, em média, da progênie de outros touros avaliados na mesma base de dados, para uma característica específica.
Não. Depende da característica e do objetivo do rebanho. Uma DEP alta de peso à desmama costuma ser buscada, enquanto uma DEP muito alta de peso ao nascer pode não convir se a prioridade é facilidade de parto.
É a medida de confiabilidade da estimativa: quanto mais próxima de 1 (ou de 100%), mais informação sustenta aquele valor e menor a chance de ele mudar bastante quando entrarem novos dados.
Indica a posição do animal dentro da população avaliada para aquela característica. Um touro no percentil 10 está entre os 10% com melhor DEP da raça, segundo a convenção do programa.
Não diretamente. Cada programa calcula a DEP dentro da sua própria base genética e raça; comparar valores de programas ou raças diferentes pode levar a conclusões erradas.
Os programas de melhoramento genético das associações de criadores, como o PMGZ da ABCZ, a ANCP e o Geneplus da Embrapa. Cada um reúne dados de milhares de animais para gerar as DEPs publicadas.